Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada (Petter Baiestorf)
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Ugra (apenas para produtos): Rua Augusta, 1371 loja 116 - São Paulo - SPGrátis
Formato: 16 × 23 cm
Páginas: 544
Editora: Pitomba
Idioma: Português
País de Origem: Brasil
Na década de 1980, jovens do mundo inteiro se utilizaram de câmeras VHS para fazer seus primeiros filmes; esse movimento não organizado ficou conhecido como Shot On Video, ou abreviando, SOV. No Brasil, liderados por Petter Baiestorf, um dos primeiros grupos a fazer SOVs foi a Canibal Filmes.
Tomando o Cinema Marginal e o Cinema produzido na região da Boca do Lixo, em São Paulo, como referência, a Canibal Filmes iniciou a produção de filmes de horror e sci-fi de baixíssimo orçamento e inventou seu próprio sistema de distribuição, utilizando-se do correio, para chegar em todos os cantos do Brasil, USA, Canadá e países da Europa.
Na década de 1990, a Canibal Filmes foi a principal responsável no Brasil por tentar criar um mercado independente de produções em vídeo, aos moldes do que os fanzineiros e as bandas undergrounds faziam. Seus filmes tomaram de assalto shows punks, de death/black metal e, principalmente, grindcore/goregrind. Já naquela época, fechavam parcerias com bandas e outros cineastas transgressores. Seu método de produção inspirou praticamente todos os cineastas brasileiros que estão na ativa hoje produzindo filmes de horror e sci-fi, principalmente por mostrar que era possível driblar a falta de recursos.
No início do século XXI, Petter Baiestorf e Cesar Souza escreveram o livro “Manifesto Canibal”, que ensinava como fazer filmes sem recurso algum, e acabou se tornando uma referência ao jovem artista.
Com o advento das mídias digitais, a Canibal Filmes continuou sua história e produção independente, tendo realizado uma série de filmes de horror que se destacaram em festivais brasileiros e internacionais, como “Zombio” – oficialmente a primeira produção brasileira envolvendo zumbis –, “Zombio 2” – selecionado em mais de 50 festivais de cinema fantástico pelo mundo –, “Ninguém Deve Morrer” – vencedor de melhor filme, produção e edição no Festival Guarú Fantástico, em Guarulho/SP –, e “Ándale!” – curta-metragem experimental ganhador de vários prêmios de melhor produção experimental. A rica produção da Canibal Filmes ultrapassa mais de 100 filmes realizados de maneira independente nesses quase 30 anos de produções.
O livro conta a história da Canibal Filmes, que começou a produzir em 1992 utilizando-se do suporte VHS e seus integrantes e ex-integrantes compartilham aqui histórias hilárias de bastidores que envolvem muitos fanzineiros, bandas e produtores conhecidos da década de 1990; contam, também, como sobreviveram à troca do analógico pelo digital, como se adaptaram aos tempos virtuais mantendo seu foco num sistema de produção completamente independente que nunca bebeu de dinheiro público de editais, se mantendo por três décadas fiéis ao seu estilo de pensar e criar cinema.
O mais incrível dessa trajetória, iniciada na pequena cidade rural de Palmitos - Santa Catarina, em uma região sem tradição cinematográfica –, é que conseguiu fazer as suas produções influenciarem grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, pela inventividade com a qual eram produzidos e distribuídos em todo território nacional em uma época pré-internet.

